[Resenha] O Culpado, de Lisa Ballantyne

O Culpado
Autor(a): Lisa Ballantyne
Editora: Record
Páginas: 350
Avaliação: 3.7
Capa: 3.5 Diagramação: 4 Conteúdo: 3.5

O culpado não é nada do que parece ser.

Ben Strokes tinha apenas 8 anos quando foi assassinado. Por quem? Bom, essa é a grande questão. O acusado é Sebastian Croll, um garoto de 11 anos que prefere ser chamado de Seb. O lado positivo é que, além de ser apenas uma criança, Seb conta com Daniel, seu advogado, para provar sua inocência.

Daniel está mais do que acostumado a trabalhar com jovens, mas é a primeira vez que terá que defender um garoto tão novo assim. E crianças dessa idade não pensam em duplos sentidos ao responder questionamentos, elas apenas são sinceras. Certo?

Um caso que, por mais que fosse complexo por si só, seria extremamente simples de lidar, se não o fizesse lembrar da própria infância. Dos dedos esticados para tocar piano direito, da espera pela mãe enquanto estava com a assistência social. Da raiva, do medo, da insegurança.

– Ah, ele estava só brincando. Ele faz isso. Gosta de enrolar as pessoas, sabe como é.
– Eu só estava enrolando eles – ecoou Sebastian, avidamente.
— página 16

Lisa Ballantyne tem uma escrita simples e envolvente que nos permite entrar na história logo no primeiro capítulo e ver como ela vai se desenvolver. A princípio ela se mostra previsível, e nosso foco muda do crime para a relação de Daniel com a própria mãe e as consequências da sua infância.

Entretanto, ao longo dos capítulos, Sebastian cria uma nova dimensão para o que está sendo acusado e o livro deixa de se tratar apenas de uma história sobre morte e vivências. Quando relatórios aparecem para incriminar o garoto, outras personagens se mostram prontas para avaliar a personalidade dele e semear dúvidas na cabeça de quem tinha tudo resolvido.

Fica claro que é pelo desenvolvimento, e pelas personagens pouco características, que O Culpado ganha destaque. É impossível largar o livro enquanto as perguntas não encaixam com perfeição às respostas. Lisa eleva a história para um nível que nós mesmos fazemos parte dela, temos nossas certezas que, em algum momento, vão ser postas em cheque.

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