Se você tem uma marca já minimamente madura no digital e sente que “faz tudo certo” em SEO (produz conteúdo, atualiza o blog, arruma títulos) mas o tráfego orgânico não cresce, não é delírio: o jogo realmente mudou. A chegada de respostas geradas por IA nos buscadores e o volume absurdo de textos automatizados bagunçaram o tabuleiro, facilitando a vida de quem busca, mas não a de quem quer ser encontrado.
Google e Bing estão redesenhando a página de resultados com resumos de IA e modos conversacionais, como você já deve ter percebido. Isso altera comportamento de clique, padrões de descoberta e padrões de qualidade. Portanto, o recado é direto: quem insistir em mais do mesmo vai competir com máquinas em território da máquina. Quem diferenciar, posiciona.
Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude massificaram a produção de rascunhos e textos “ok”. O Google inclusive não proíbe conteúdo feito com IA, o ponto em destaque é a utilidade. O que viola política é escala sem valor: reciclagem, conteúdo enchimento e parasitagem de reputação. Em 2024 e 2025, o Google reforçou políticas contra scaled content abuse, site reputation abuse e outras práticas; e publicou orientações de como usar IA sem cair em spam. Em resumo: AI é aceita; spam, não.
Paralelamente, a página de resultados virou interface de resposta. Perceba que o Google expandiu AI Overviews e lançou um AI Mode mais conversacional. A Microsoft evoluiu o Bing com busca generativa. O usuário pergunta; a IA resume, linka e permite seguir perguntando. Isso desloca cliques de possíveis 10 links azuis para um bloco-resposta. Tenso, né?

O efeito da produção em massa de conteúdo via IA
Quando qualquer um consegue gerar 20 artigos em 20 minutos, o feed enche de páginas parecidas. O Google vem apertando o filtro e reduzindo a visibilidade de conteúdo genérico; ainda assim, o excesso faz ruído e dificulta escalar tráfego apenas com mais posts. Em suma, o resultado é que o que era commodity virou super-commodity.
Nesse ambiente, estudos independentes e análises de mercado apontam quedas relevantes de CTR em faixas de dezenas de pontos percentuais, variando por tipo de busca. Inclusive, o Pew Research mediu menor propensão ao clique quando há resumo; análises de mercado reunidas pelo Search Engine Journal indicam reduções de ~34% a 46%. Ou seja, a torta de cliques diminuiu em várias SERPs.
Um dos pontos principais aqui pra debater é que enterrar um texto mediano sob 500 clones é mais fácil para quem tem time e orçamento. Para PMEs, por exemplo, competir em volume é uma armadilha: caro, lento e com ROI decrescente. Além disso, a descoberta está fragmentando: o usuário pula do Google para Copilot, Perplexity, ChatGPT, ou até desliga resumos com extensões em sinal de fadiga e polarização do uso.
Em todos os casos, a pergunta é a mesma: o que faz você ser citado como fonte confiável? Não é a contagem de palavras, e sim autoridade contextual, provas, dados próprios, clareza sobre intenção e marcas que assumem uma posição.
Diferenciação, autoridade, originalidade e intenção
- Diferenciação: fuja do texto que qualquer IA escreveria. Mostre o que só você sabe: dados proprietários, bastidores, comparativos reais, metodologia, imagens próprias, demo, preço, prazo, restrição.
- Autoridade: sinais de E-E-A-T na prática: autor identificável, credenciais, política editorial, fontes externas confiáveis, evidências verificáveis.
- Originalidade: traga ativos únicos (pesquisas com base de clientes, benchmarks, estudos de caso, amostras de preço/tempo), não apenas compilações.
- Intenção de busca: escreva uma página para uma intenção principal e resolva o problema até o fim (incluindo próximos passos e decisão). Esses vetores alinham você com os critérios de utilidade que as atualizações de núcleo buscam reforçar.
É pensando nesses quatro pontos também que surge o tema AEO (Answer Engine Optimization): tornar-se a fonte citada pelas IAs de resposta. O foco muda de ranking do seu link para ser referência dentro da resposta: estrutura clara, perguntas e respostas, schema, snippets que “caem bem” em resumos, e assets dignos de citação (estudos, números, frameworks). A literatura recente trata AEO como prática complementar ao SEO, uma forma de ganhar menções e citações em respostas conversacionais além do ranking clássico.
Então, o que estou querendo trazer é que conteúdo humanizado aqui não é adjetivo fofo. É conteúdo que muda a decisão: transparente sobre trade-offs, honesto sobre limites, claro no “para quem é / para quem não é”. Esse tom vence ruído e gera confiança, ingrediente de que as IAs também precisam para decidir quem citar.
Logo, para PMEs, o caminho não é gritar mais alto nem fazer 100 posts com IA, isso não vai ajudar sua marca a chegar muito longe. É ser inequívoco no que você sabe melhor que o mercado e provar isso em formatos que as IAs amam citar e que pessoas confiam. AEO + SEO de qualidade + ativos proprietários é a tríade que devolve previsibilidade. Em tempos de IA, vence quem resolve a pergunta com evidência; e quem vira referência quando a resposta aparece sem o seu clique.
